A MAIOR MARAVILHA DO UNIVERSO

A maior maravilha do unverso - Unknown Artist
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              Pense um pouco. Você é merecedor de admiração, consideração e respeito? Merece ser amado? Amado por seus familiares, amigos, colegas de trabalho, por todas as pessoas com quem se relaciona? Merece ser feliz? Ou será que não reúne méritos em razão de suas deficiências. Talvez acredite que poucas pessoas possam amá-lo ou oferecer  algum tipo de consideração.

              A crença na predominância das características negativas é determinante para a repressão ser constante na vida das pessoas, desde os primeiros momentos de vida. Está presente na família, no trabalho, na sociedade de maneira ampla. Mesmo nas religiões, onde buscamos o conforto para nossa alma, são comuns os sermões, as pregações que dão ênfase aos erros que cometemos, podemos até receber a qualificação de pecadores contumazes.

              O cenário repressivo, felizmente, começa a dar lugar para a valorização das virtudes e pontos fortes dos indivíduos, decorrência da abordagem de algumas religiões e da psicologia. Entretanto, é uma mudança lenta e ainda pouco assimilada.

Enquanto isso, a repressão e a crítica permanecem presentes nos relacionamentos e nos procedimentos de educação nas escolas e lares. Encontramos com frequência, interessados em consertar o próximo, muitos acreditam que assim atendem à exortação  de amar ao próximo. Predomina a pedagogia repressiva que tem como propósito forçar mudanças mediante o medo, culpa e vergonha.  

              Numa escala de 0 a 10 que nota você entende que expressa melhor a consideração que lhe é devida? Será 10? Pouco provável, logo lembraria que isso é pretensão, orgulho ou vaidade, quando o correto é cultivar a humildade. Esta, quando ensinada de maneira equivocada, resulta em depreciação das pessoas. Acabam convencidas de não possuírem méritos para serem admiradas e amadas. Não é sem razão a existência de tantos com baixa autoestima.

              Quem sabe você pensaria em uma nota 0? Bem, não exageremos talvez 5 ou 6. 

              Pense agora sobre a humanidade como um todo.

              A depreciação observada na avaliação individual também acontece quando o gênero humano é considerado. Para essa conclusão basta observar as notícias provenientes da televisão, jornais, revistas e da internet. A perspectiva que se adquire por esses meios pode até justificar  que não há como salvar os humanos de sua própria insanidade.

               Mais uma vez encontramos o reforço de muitas religiões, não se cansam de apregoar que poucos conseguirão se libertar das amarras animalescas. Insistem com o pecado original, lembram que o homem já chega com essa mácula. Afirmam que mesmo entre os que foram criados como criaturas angelicais muitos se perderam. Anjos que se transformaram em criaturas diabólicas.

              Não bastasse tudo isso  a convivência diária nas casas, no trânsito, no trabalho no convívio social que produz  situações agudas como disputas e toda sorte de conflitos com aqueles tidos na condição de adversários ou inimigos. Em 30% dos lares ocorre a violência física. As violências verbais são ainda mais frequentes.

              O cenário leva a crer que os humanos são incorrigíveis. A cada dia que passa parecem  piores.

              Qual seria a nota para o gênero humano? Nem 0 ou 10, quem sabe 5, 4 ou 3?

         Essa visão amplamente desfavorável sobre o ser humano permite cogitar que Deus não existe, estariam certos os materialistas, ou que não é Onipotente por ser desafiado em  Seus desígnios e ter a Sua criação submetida aos caprichos e descaminhos do homem. 

            Veremos, entretanto, que Deus existe e que é impossível aceitar a existência de imperfeições em Sua criação. A perfeição é atributo do Criador e de sua criação.

              Consideremos agora algo que nós usamos como recurso fundamental para a existência terrena: nosso corpo.

 

  •  Os médicos, biólogos e outros com conhecimentos sobre o nosso corpo permitem saber que:

  • O cérebro possui 15 bilhões de neurônios.

  • O ouvido é capaz de perceber 1.600 frequências diferentes.

  • Os olhos podem captar um único fóton.

  • O nervo ótico com 800.000 fibras é capaz de transmitir mais informações de seus 132 milhões de bastões e cones ao seu cérebro do que o maior sistema de computação ótica do mundo.

  • Os pulmões, com 300 milhões de alvéolos, transmitem oxigênio para 100 trilhões de células que formam o corpo.

  • Com 206 ossos e 656 músculos o homem conta com o sistema mais complexo que se conhece.

 

              O funcionamento de nosso corpo assegura a circulação sanguínea, digestão, respiração, manutenção da temperatura adequada e outras funções sem que tenhamos que cuidar conscientemente para que isso aconteça.

              Que nota atribuir para o nosso corpo? Seria 5?

               Para essa maravilha nada menos do que 10. 

              Agora teremos que superar um aparente disparate. Como justificar a atribuição de 10 para o corpo e nota inferior para  o homem, o Espírito que usa esse recurso. Deus teria alcançado sucesso na criação do corpo e fracassado quando criou o Espírito? O que é mais importante o corpo ou Espírito que o habita?

              Além da nota máxima ao corpo físico  damos 10 para tudo que admiramos na natureza. Para as constelações,  galáxias, estrelas, para nosso planeta Terra com seus oceanos, florestas, suas flores, frutos os seus espetáculos como o nascer e o pôr do Sol.

              Nota 10 para tudo menos para o ser humano?

            Santo Agostinho disse que o homem consegue maravilhar-se diante do espetáculo que natureza oferece e não consegue o mesmo diante da obra suprema de Deus, o Espírito: a maior maravilha do Universo.

              O Espírito é mais do que o corpo. Se o corpo é merecedor de  profunda admiração  ainda mais é devido ao Espírito. 

              Divaguemos um pouco com uma metáfora.

        Entre os automóveis que conhecemos o que mais nos encanta são aqueles utilizados em corridas de fórmula 1. Verdadeiros bólidos construídos com a mais avançada tecnologia disponível.

       Caso tivéssemos a incumbência de escolher pilotos para esses carros o que faríamos? Escolheríamos alguém despreparado ou que tenha demonstrado incompetência até para dirigir veículos mais simples nas ruas e estradas?

            Claro que não. Buscaríamos os mais capacitados.

           O corpo esta maravilha da criação, merecedor de nota 10, tem como “piloto” alguém que não merece mais do que 5 ou 6?

            Claro que não, o corpo e o Espírito são obras de Deus, perfeitas, portanto. 

         Outro paradoxo a ser vencido. Como entender que o Espírito, obra perfeita de Deus pode ser responsável por tanto sofrimento como as guerras, os assassinatos, roubos e outras ações capazes de servir de justificativa à apreciação desfavorável do ser humano? Como ver perfeição naqueles segregados da sociedade e que lotam cadeias e outros  tipos de prisões?

            Alguns explicam que Deus cria Espíritos perfeitos, entretanto pelo uso do livre arbítrio fazem escolhas erradas que levam à perda  da condição original de perfeição.

              É estranho que os filhos de Deus possuam a capacidade de degradarem a Sua obra. A obra de Deus sendo perfeita nunca perderá essa condição. A perfeição é imutável. Quando tomamos os seres por sua essência é forço reconhecer, também, a sua imutabilidade.

              Quando se pensa que os Espíritos partem da imperfeição para alcançar em algum momento a perfeição é forçoso admitir que tenham a imperfeição como marca de criação ou como resultado de degradação provocada por escolhas equivocadas.

              Realmente, há uma transição evolutiva, o objetivo é permitir aos Espíritos saírem da inconsciência e, gradativamente, alcançarem a consciência de sua real condição: a perfeição, filhos de Deus criados à Sua imagem e semelhança.

           Para que isso aconteça  são necessárias experiências que se desdobram através de vidas sucessivas nos planos materiais e mesmo na esfera espiritual. Essas experiências permitem obter consciência das potencialidades atribuídas por Deus e que formam a essência do Espírito. 

              Uma melhor compreensão dessa questão requer que se faça distinção entre:   o que somos e o que fazemos.

              Somos perfeitos, criados com essa condição e que nunca deixa de existir. Por outro lado, o que fazemos exige  um processo de aprimoramento. Nesse contínuo processo de descoberta de quem verdadeiramente somos surgem os erros como resultados da inabilidade ou de escolhas inadequadas.

               Como tudo na criação de Deus tem a marca da perfeição, é forçoso reconhecer que o processo de aprendizado, que é obra de Deus, também é perfeito.

             As nossas experiências não produzem acertos e nem erros, produzem resultados. O resultado é a resposta que obtemos através de nossas ações. Poderá ser adequado ou exigir novas experiências para que possa ser modificado ou aprimorado.  O resultado que assinala a conclusão de uma determinada experiência é aquele que se ajusta às Leis Divinas.

              Enquanto isso não ocorrer as experiências prosseguem, fato que esclarece porque ninguém se perde, todos alcançam a plenitude e a felicidade. Por mais inadequado que possam parecer nossas escolhas e ações chega o momento que completamos com sucesso o processo. Nenhuma ovelha se extravia no rebanho de Deus.

              Portanto, experiências e resultados constituem um processo contínuo de ajustamentos. Se tomarmos por comparação um processo de afinação de um violino teremos que a sonoridade desejada é alcançada depois de vários ajustes da tensão das cordas.  Os ajustes representam um processo e não erros. Na grande sinfonia da vida ocorre algo semelhante. 

              A gravidade daquilo que chamamos de “erros” ganha dimensões que julgamos insuportáveis, principalmente quando há a supressão de vidas ou imposição de sofrimentos agudos. Concordamos que são situações que necessitam de nosso empenho para que sejam superadas.

              Consideremos  as perdas e sofrimentos diante de duas hipóteses.

              Um materialista que supõe  a vida manifestação do corpo, a morte é o ponto terminal é o fim de tudo, não há nada além do corpo decomposto. Nesse caso a destruição é definitiva,  uma perda irreparável.

           A hipótese espiritualista evidencia que  a destruição do  corpo não modifica e muito menos aniquila o Espírito. O Espírito, usuário temporário de um corpo físico, prossegue sempre em sua jornada por ser imortal e indestrutível, conserva suas condições originais de perfeição. Poderá voltar a ocupar novos corpos, em novas experiências encarnatórias, até que não sejam mais necessárias.

         A destruição  irreparável na hipótese materialista é tida na hipótese espiritualista como uma etapa de um processo contínuo, na criação de Deus temos apenas ganhos, as perdas são ilusórias.

           O correto entendimento das dores e sofrimentos requer que consideremos a ausência de espaço para injustiças na obra de Deus. Houvesse espaço para elas teríamos que aceitar a existência de imperfeição em Sua obra e Nele próprio.

           Colhemos unicamente aquilo que semeamos. Trata-se da Lei de Ação e Reação que expressa a suprema justiça de Deus. As situações e fatos de nossas vidas sempre estarão de conformidade com a justiça de Deus. São resultados das semeaduras que fizemos ou recursos para nosso aprendizado. 

           Importante questão decorre da distinção entre aquilo que somos e o que fazemos.  O amor ao próximo tem por objetivo o que somos. Por outro lado, amar o próximo não significa aprovar ou desaprovar o que fazemos.

           As mães oferecem extraordinária lição. Seus filhos podem fazer coisas que aprovam e outras que desaprovam. Incentivam umas e recomendam  o desejável em relação às outras. Independentemente da aprovação ou reprovação permanecem fiéis no amor.

           O amor é incondicional, não deve ficar na dependência do que o próximo faz.

           Os que não se ajustam aos padrões da sociedade ou à Lei Divina são beneficiados quando amados. Mesmo quando são impostas restrições à liberdade aos que precisam ser contidos há a necessidade de se preservar a integridade física e moral das pessoas. Degradar pelo ódio e outros sentimentos negativos é falhar no cumprimento da Regra de Ouro: fazer aos outros o mesmo que se deseja para si próprio.

           O que somos sempre merece o amor, sem limitações, incondicionalmente. O que fazemos merece ajuda, compreensão e tolerância para que haja condições mais favoráveis na caminhada que nos leva da inconsciência para a consciência de nossa herança Divina: fomos criados à imagem e semelhança de Deus. 

           Autoestima é a percepção de ter capacidade para superar desafios e de merecer o que seja melhor. Os filhos de Deus são  capazes de superar todas as experiências e são  merecedores de admiração, amor e felicidade.

           Encontraremos base sólida para a autoestima no que somos e não no que seremos, deixemos também de querer fundamentá-la em coisas a serem buscadas fora de nossa essência.

 

A maior maravilha do Universo  somos nós Espíritos perfeitos e imortais.

 

            O reconhecimento de quem verdadeiramente somos - A maior maravilha do Universo - pode ser considerado como o ponto de partida, o fundamento, para termos plena convicção sobre o mandamento maior ensinado por Jesus: amar Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

        Conhecer quem somos fortalece o entendimento de sermos merecedores de toda consideração e capazes de concretizar nossas obras, ao longo do tempo, mesmo que pareçam difíceis.

        Ao considerarmos nós e nossos irmãos como "A maior maravilha do Universo", teremos abertas as possibilidades para ganharmos a condição de "Mestre em Relacionamentos". O "Mestre" primeiro encontra-se consigo mesmo para ser capaz de amar toda a humanidade, toda a criação e ao Criador, Deus nosso Pai.

         O "Mestre" percebe que a sua autoestima decorre de sua herança Divina e deixa de querer repousá-la em coisas que possa ter ou naquilo que faz.