SUGESTÃO E AUTOSSUGESTÃO

 

         As pessoas falam e pensam sem terem a noção exata das consequências.  Imagina-se que as palavras e mais especialmente os pensamentos são como bolhas de sabão, possuem uma vida efêmera, sem maior ou nenhuma consequência.

         Vamos lembrar do ditado: água mole em pedra dura tanto bate até de fura. 

A água dá a impressão de não poder modificar uma rocha dura, porém basta observarmos as pedras nas cachoeiras para modificarmos a nossa avaliação.

         Os nossos pensamentos e o que dizemos despejam-se como água em nosso subconsciente.  A repetição constante de uma mesma coisa transforma-se em “programas”, em nosso subconsciente, condicionam a nossa vida.  Esses “programas” podem representar limitações ou serem responsáveis por nossas realizações e resultados desejados. 

         A repetição é uma das formas de criarmos os “programas”, a outra é o aprendizado rápido.  Para aprendermos rapidamente uma coisa é necessária que a experiência esteja associada a uma forte emoção.  Assim, o mais comum em nossas vidas é a repetição.

         Foi repetindo, repetindo que aprendemos a falar, andar, escrever, andar de bicicleta, a tocar um instrumento musical, a fazer tricô e bordados e tantas outras coisas.

         Aprender a escrever pela repetição soa bem familiar, encaramos isso com naturalidade.  O mesmo não ocorre em relação aos nossos pensamentos e sobre o que falamos, como já afirmado seriam como bolhas de sabão que não deixam nem rastros.

         O poder daquilo que pensamos pode ser avaliado em um treinamento de atletas. Duas equipes de corredores têm tomados os seus tempos e a seguir são submetidos ao seguinte programa de treinamento:  o primeiro grupo irá dedicar-se exclusivamente ao treino nas pistas enquanto o segundo usará metade do tempo nas pistas e a outra metade será dedicada a um treinamento mental.  No treino mental os corredores irão “se ver mentalmente” alcançando metas superiores ao obtido nas pistas. 

Qual das duas equipes irá alcançar desempenho superior quando comparadas as suas novas marcas com o tempo tomado antes do treinamento? 

As experiências demonstram que quando se alia ao treinamento propriamente dito à simulação mental os resultados serão superiores.  A expectativa criada na mente dos atletas melhora os seus resultados de maneira significativa.  As metas imaginadas irão fazer com que o subconsciente mobilize as potencialidades dos atletas ao mesmo tempo em que elimina limitações que tivessem sido anteriormente pensadas e aceitas. 

         Pensamentos e afirmações constantes sobre uma determinada limitação acabam se concretizando como realidade.  Assim, se dissermos com frequência ser impossível ou muito difícil produzirmos uma obra de arte como uma pintura, estejamos certos que isso irá se transformar em realidade.  Se dissermos ou pensarmos constantemente como é difícil sair da cama pela manhã, estejamos certos que os atrasos serão inevitáveis.  Por outro lado, ao deitar-se poderemos dizer ao nosso subconsciente para que nos acorde bem dispostos e que ao primeiro toque do despertador saiamos sem dificuldade da cama, acabaremos até dispensando o despertador.        

         A hipnose permite experiências capazes de mostrar o que as sugestões podem produzir.  Uma pessoa colocada em transe hipnótico tem uma moeda colocada sobre a sua mão, enquanto o hipnotizador sugere que ela está muito quente, quem sabe acima de cem graus.  Logo após o encerramento da experiência, muito provavelmente surgirá uma bolha no local em que foi colocada a moeda. 

O Dr. James Esdaille, um cirurgião escocês realizou inúmeras cirurgias em Bengala como, remoção de tumores, amputações, intervenções nos olhos e outras de mesmo nível traumático, antes da existência de qualquer recurso de anestesia.  Usava a hipnose para condicionar os pacientes à não sentirem dores. 

Com o surgimento do éter e de outros modernos recursos de anestesia a hipnose deixou de ser usada.  Atualmente, a hipnose volta a ser usada com excelentes resultados, como acontece em muitos consultórios odontológicos onde os pacientes vencem o pavor que sentem diante do instrumental usado, graças a sugestões recebidas em transe hipnótico.

         Se você estiver em uma viagem marítima, em um navio, poderá testar o efeito da sugestão.  Escolha alguém que estiver viajando, de preferência pela primeira vez, e diga-lhe: “O que está acontecendo, você não está bem? Seu rosto está muito pálido, estou certo  que você está prestes a enjoar.  É melhor que procure o médico ou volte para a sua cabine”.  Não irá demorar muito para que a sugestão produza resultados.

         Poderíamos ficar muito preocupados caso considerássemos o nosso subconsciente um campo aberto para qualquer tipo de sugestão, entretanto, tal não acontece.  Uma sugestão somente é incorporada pelo nosso subconsciente quando há prévia aceitação da mente consciente.

         A sua mente consciente é uma espécie de “sentinela”, sempre atenta, apenas permite a passagem das sugestões que apresentarem as “credenciais” adequadas.

         As sugestões externas, oriundas das pessoas e dos meios de comunicação em geral,  somente produzirão resultados quando houver o seu consentimento consciente.  Seja cuidadoso em relação às afirmações das pessoas e às informações veiculadas pelo rádio, televisão, livros e outros meios.  Quando a informação for repetitiva e houver concordância de sua parte, não tenha dúvida uma nova sugestão estará sendo incorporada em sua mente subconsciente.

         Os meios de comunicação são pródigos em lançar sementes do medo, do desânimo, da revolta, da angústia da iminência de desastres de toda natureza.  Deixe a “sentinela” sempre atenta, faça para que não seja enganada por esses agentes demolidores de seu bem estar.

 Mesmo em processos hipnóticos não estaremos expostos, as sugestões não aceitas conscientemente, elas não produzem efeito.  Ninguém pode ser constrangido a cometer atos induzidos pela hipnose quando estiver em conflito com aquilo que seria aceito pelo consciente.

         O cuidado que devemos ter é com as sugestões que aceitamos conscientemente quer induzidas por terceiros ou por nós mesmos através de nossos pensamentos ou do que falamos.

 

HÁBITOS RESPONSÁVEIS POR INÚMEROS PROBLEMAS

 

         Lembremos alguns hábitos, nascidos da repetição de pensamentos e do que falamos, responsáveis por inúmeros problemas em nossas vidas.

         Quantas vezes teremos afirmado que tudo o que conseguimos na vida somente é possível com tremendos esforços e sacrifícios?  Isso se transforma em uma crença que irá comandar a nossa vida.  A partir disso não poderemos esperar senão esforços e muitos sacrifícios.  Será melhor que doravante passemos a afirmar que conseguimos o que queremos cada vez mais facilmente.

         Muitos reclamam com frequência de seu emprego, sempre que acordam para ir trabalhar pensam ou falam: “Mais um dia naquele lugar chato, meus esforços não são reconhecidos, vivo no meio de pessoas horríveis, tenho que aguentar tudo e receber um salário miserável”.

O subconsciente recebe a sugestão e providencia para que o insatisfeito seja demitido. Como demitido? Sim, para o subconsciente fica claro que numa situação como esta o adequado é livrar a pessoa do incômodo.

 Muitos perdem o cônjuge, relacionamento e bens materiais sem saber que a fonte disso são as suas constantes reclamações.

         Outros reclamam que ninguém lhes dá atenção, que não tem os seus méritos reconhecidos no trabalho, na escola, no círculo de amigos ou pelos familiares.  Dizem que se sacrificam para que a família possa ter do bom e do melhor, que dilapidam a sua própria saúde em favor destas, da empresa ou por qualquer outro motivo.  Tudo isso acaba por ser verdadeiro na vida dessas pessoas.

         Com frequência encontramos pessoas cultivando o hábito de inventariar as suas doenças e dores.  Não deixam espaço para outros assuntos.  Essa é uma fonte que alimenta o aparecimento de muitos hipocondríacos.  Para esses basta algum comentário sobre doenças para sentirem os sintomas, buscam em seguida os remédios.  

         Que tal a visão de que o mundo está cada vez pior.  Estão cada vez pior, a economia, as condições climatéricas, a violência, a corrupção, o uso de drogas, a vida em família.  Condicionando a nossa mente nessa direção o que poderemos esperar da vida?

         Há, inclusive as metáforas físicas, ou linguagem orgânica, como: “esse assunto esquenta a minha cabeça; parece que estou carregando o mundo nas costas; sinto um nó no estômago; isso faz sentir uma dor no coração”.  Essas metáforas são aceitas literalmente pelo subconsciente e irão provocar os sintomas físicos correspondentes. Você está falando de maneira figurada, o seu subconsciente, entretanto, não entende dessa maneira. 

Cuidado, inclusive, com as pilhérias, pois estas também não são tidas como tal pelo subconsciente.  Deixe de pensar ou falar coisas do tipo: “eu estou ficando gagá; sou o maior trouxa do mundo; você tem toda razão somente cometo burradas”.

         Façamos uma profunda modificação em nossa forma de pensar e de falar.  Eliminemos expressões como: isso é muito difícil, não vou conseguir o que quero, isso é muito complicado, a minha vida é muito difícil, não sei o que devo fazer, não mereço, ninguém me compreende, estou cada vez mais só, por mais que eu lute não sou bem sucedido, e muitas outras. 

Para identificar o que deve evitar verifique se os seus pensamentos ou suas palavras favorecem ou limitam a sua vida.

 

USE A SUGESTÃO EM SEU FAVOR

 

         Vale agora aprender como usar a sugestão em nosso favor. Para sermos mais precisos: usemos a autossugestão. Há algumas regras a serem seguidas.

                  Repetição.  Está é a principal regra para que a sugestão produza resultado.  O poder da propaganda repousa nessa característica.  Portanto a sugestão deverá ser repetida várias vezes.

              Positivas.  As sugestões devem ser positivas e representar aquilo que você pretende alcançar e não aquilo que pretenda evitar.  Assim será correto dizer “a minha memória melhora cada vez mais” no lugar de dizer “esqueço cada vez menos”. A palavra "não" deve ser evitada.

                 Permissivas.  As sugestões permissivas serão mais facilmente aceitas pelo subconsciente. O termo “você pode” é permissivo e o termo “você fará é imperativo”. As pessoas, no geral, detestam serem mandadas e possuem esse padrão em seu subconsciente. Quando uma sugestão permissiva não for incorporada, ai então, use a sugestão imperativa.

                 Verbais ou não.  As sugestões poderão ser ditas em voz alta ou ainda apenas mentalmente.  Use a alternativa que você achar melhor.

                Visualização.  A sugestão será mais efetiva caso possa ser acompanhada de uma imagem visual.

               Futuro imediato.  Deve haver algum tempo para o subconsciente poder concretizar a sugestão.  Diga “agora a minha dor irá começar a passar” no lugar de dizer “a minha dor passou”.

               Processo contínuo.  A sugestão deve ser colocada segundo a perspectiva de um processo em andamento no lugar de alguma coisa terminada.  Diga “a minha criatividade aumenta cada vez mais” no lugar de dizer “eu sou criativo”.

             Poucas sugestões.  Evite sobrecarregar o subconsciente com muitas sugestões simultâneas para não ficarem difusas.

              Resultado final.  Defina o que você quer alcançar com a sua sugestão e não a maneira de chegar lá.

              Síntese.  As frases devem conter o essencial, devem ser condensadas em poucas palavras.

           Relaxamento físico e mental. Procure um local tranqüilo e proceda a um relaxamento físico e mental. Não havendo condições para esse procedimento, faça as afirmações da melhor maneira que puder.

 

  Façamos uma lista do que queremos alcançar em nossa vida.  Quem sabe mais criatividade, entusiasmo, paciência, compreensão, bom humor, saúde, sucesso, prosperidade, capacidade de realização.

         Identificadas a sugestões de seu interesse, elabore uma lista e reserve alguns minutos diários para transmiti-las para o seu subconsciente. 

 

              Há apenas uma condição para que as sugestões sejam incorporadas ao subconsciente: você precisa acreditar na afirmação, havendo dúvida ou descrença a sugestão terá essa característica.  Portanto antes de incluir uma afirmação em sua lista, procure encontrar em sua mente consciente o apoio para que ela seja verdadeira para você. 

 

CRIANÇAS E SUGESTÕES

 

         Quantas vezes teremos dito para nossos filhos e para as crianças em geral que ela é “burra” quando faz algo errado, como, por exemplo, um exercício de matemática?  Quantas vezes teremos dito que ela é desastrada ao derramar leite sobre a mesa?  Quantas vezes teremos feito algum comentário depreciativo em relação a algum aspecto físico da criança?  Ou então poderemos ter dito que o papai e mamãe não gostam mais da criança por que ela fez isso ou aquilo.

         Com toda a boa intenção do mundo teremos dito em muitas oportunidades que um filho ou uma criança não será nada na vida porque não estuda ou porque só faz coisas erradas, ou que irá fracassar.  Em muitas oportunidades fazemos comparações desfavoráveis ao compará-las com seus irmãos ou com outras crianças.

         Lembre-se que a “sentinela” está ausente enquanto somos crianças.  As crianças desenvolvem gradativamente a sua capacidade mental consciente.  Com isso as sugestões vão quase sempre diretas para o subconsciente.  Nesta fase, cabe aos pais e aos adultos em geral proteger as crianças e entenderem que essa fragilidade é benéfica quando entendermos a sua razão.  A criança é um ser aberto para receber as nossas influências como forma de educá-la.  Conhecendo a possibilidade de transmitir sugestões haveremos de escolher aquelas que irão favorecer a formação de nossas crianças, enquanto buscaremos protegê-las daquelas capazes de produzir infortúnios no presente e no futuro.

         Quando você estiver corrigindo o exercício de matemática é possível comentar o erro, sem precisar, contudo atribuir à condição de “burro”.  Tampouco diga que o seu filho é um “gênio” porque acerta sempre nos exercícios de matemática ou em outras tarefas.  Os seus comentários equilibrados sobre o que as crianças fazem é a maneira correta de alimentar favoravelmente o ego em formação.

         Os adultos de hoje devem considerar que em sua infância estiveram sujeitos a sugestões negativas.  Muitas delas produzem efeito no presente e requerem que sejam superadas através de novas sugestões.