VIAJAR COMO MOTORISTA OU PASSAGEIRO

Viajar como motorista ou passageiro na estrada da vida - Unknown Artist
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           A posição de motorista ou passageiro que podemos assumir em um veículo permite importante análise. O motorista tem controle sobre o veículo que dirige, pode escolher o destino, resolver parar em determinados pontos, aumentar ou diminuir a velocidade, mudar de direção.

           O motorista exerce sua liberdade na condução do veículo e na escolha das opções oferecidas pela estrada. O passageiro fica na dependência daquilo que o motorista esteja disposto a realizar. O motorista é independente e o passageiro é dependente.

           A dependência dificulta ao passageiro traçar sua rota, precisa pedir ao motorista que possibilite realizar o que pretende. Este poderá concordar ou não com a solicitação.

           Podemos  transferir a metáfora para nossa vida e verificarmos até que ponto somos motoristas ou passageiros na grande estrada da vida.

           Os motoristas representam um grupo reduzido, poucos têm noção clara de que são capazes de dirigir suas vidas, de serem responsáveis por seus destinos. Podemos, então, concluir que todos os demais sejam passageiros? Não, os que assumem por inteiro a posição de passageiro não são muitos, representam  também pequeno grupo. O maior grupo é formado por aqueles que ora são motoristas e em outras ocasiões são passageiros. Nesse grupo há aqueles que adotam a posição de motoristas com  maior freqüência e outros que escolhem serem passageiros mais vezes.

           O passageiro além da dependência assume postura de vítima e o motorista sente-se independente e responsável por sua vida.

           A vítima admite que sorte e azar são possibilidades reais na vida. As dificuldades e dores surgem sem que sejam decorrentes de sua ação. Em muitas situações, no tocante ao que faz de certo e bom, não percebe a correspondente recompensa.

           Como saber se nós somos motoristas ou passageiros nessa viagem da vida? O mais provável é pertencermos ao grupo onde ora somos motoristas e ora passageiros.

           O motorista é aquele que age enquanto o passageiro reage. Um escolhe o que vai fazer, usa sua liberdade e independência, o outro reage em função das circunstâncias. O passageiro vive como se fosse destituído da capacidade de fazer escolhas e fica na dependência das circunstâncias.

           Diante das dificuldades os procedimentos são diferentes. O motorista procura identificar as oportunidades de como superá-las, o passageiro é dominado pelo problema, algo como estar dentro de um buraco. No lugar de buscar como sair dele procura escavar ainda mais. Escavar mais significa ficar apenas na descrição e análise do problema, sem buscar solução.

           O passageiro usa o hábito da reclamação. Reclama de tudo, por tudo em todos os momentos. Reclamar é procedimento que revela postura típica de vítima que não vê responsabilidade nenhuma por aquilo que gera a dificuldade ou desconforto.

Outro hábito usado pela vítima é a lamentação. Lamentar talvez seja o mesmo que reclamar ou uma variação dessa modalidade.

           Além da reclamação e lamentação há também o hábito da cobrança. Cobrar todos do circulo de relacionamentos, os familiares, os amigos, os colegas do trabalho. São os outros que podem realizar seus propósitos, assim pensa o passageiro, vive como carente e dependente. Pensa também que os outros são responsáveis pelas dificuldades, nada como exigir que parem com essas coisas desagradáveis. A felicidade e a infelicidade dependem das atitudes e comportamentos dos outros.

           Reclamar, lamentar e cobrar. Hábitos que revelam ausência de interesse em fazer escolhas, decorrentes da ausência de percepção de que o ser humano é dotado de livre-arbítrio. Disso resulta a dependência material e dependência emocional.

           A dependência emocional é a mais grave, as condições interiores ficam vinculadas ao que acontece fora. Nada mais lamentável do que a criatura emocionalmente carente.

           Mesmo em condições materiais adversas é possível ser motorista de nossas emoções e sentimentos.

Boa viagem.