MANTENHA SUA CAPACIDADE DE ESCOLHER E AGIR

Mantenha a sua capacidade de escolher e agir - Unknown Artist
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UM BANCO SEM ASSENTO

 

       Um dia ao terminar minha caminhada matinal, em uma praça, ouvi o canto de um pássaro e procurei localizar a árvore onde estava. Nesse movimento, deixei de perceber o perigo que um banco representava. O seu assento foi removido e restaram apenas os suportes laterais. Tropecei num dos suportes e cai batendo a cabeça no assento do banco seguinte. Pareceu que o mundo havia desabado.

       Atordoado e desorientado procurei avaliar a situação e notei bastante sangue no chão, passei a mão na cabeça para localizar o ferimento e nada encontrei. Percebi, porém que o sangue fluía de minha perna direita. A calça e o tênis já tinham mudado de cor. Um exame mais apurado revelou um corte na canela produzido pela extremidade do suporte do banco.

       João, fiscal do serviço de varrição da praça, sugeriu que eu fosse ao pronto socorro existente em local próximo. Entendeu que eu não estava em condição de dirigir e insistiu para levar-me em seu carro. Graças a essa boa alma cheguei ao pronto socorro e lamentou não poder permanecer comigo, pois um telefonema de emergência convocou-o para outro compromisso.

 

 

NO PRONTO SOCORRO

 

       Procurei o balcão de atendimento e expliquei ao funcionário.

       -- Tenho um ferimento em minha perna, você poderá notar o sangramento.

       -- Preciso de seu RG e CPF para preencher a ficha de atendimento.

       -- Não será possível deixar os documentos consigo e alguém atender-me de imediato, veja como o sangue começa escorrer pelo o chão.

       -- Primeiro preciso fazer sua ficha.

       O resultado foi mais um pouco de sangue derramado enquanto o cadastramento era realizado.

       Em seguida fui levado até uma sala em cuja porta estava escrito “Suturas”. Logo imaginei que seriam necessários alguns pontos para fechar o ferimento.

       Por instrução de uma atendente, não sei se enfermeira ou auxiliar, deitei em uma maca. O ferimento é limpado e a moça fez um curativo e informa que será necessário o recurso da sutura.

       Perguntei:

       -- Você irá fazer a sutura?

       -- Não, isso é tarefa para um médico cirurgião.

       Em seguida sai da sala e volta com alguém que parecia ser seu chefe que informou:

       -- A sutura não poderá ser realizada no pronto socorro porque o médico de plantão está ausente, iremos encaminhá-lo para um hospital aqui próximo.

       Depois dos trâmites que exigiu mais registros e papéis fui transportado por uma ambulância até o referido hospital.

 

MEUS ANJOS PROTETORES

 

       Enquanto era atendido no pronto socorro procurei informar alguém da família para que fosse até o local. Quem estava mais próximo era a Carla amiga de minha filha. Apresentou-se na recepção do pronto socorro como minha filha e agiu como tal ao oferecer a sua atenção durante todo o episódio. Com isso, foi possível contar até aquele momento com dois anjos protetores: João e a Carla. Será que outros seriam encontrados no hospital?

 

NO HOSPITAL

 

       A minha expectativa era que o atendimento no hospital demoraria, entretanto foi surpreendido por algo diferente. Logo na recepção, enquanto a Carla providenciava mais um cadastramento, um médico pediu para que eu o acompanhasse.

        Surpresa! Não foi necessário que o registro de atendimento fosse a primeira providência, como aconteceu no pronto socorro, mas logo percebi que não era esse o procedimento usual. O médico estava interessado em realizar o atendimento o mais rápido possível em razão do término de seu horário de trabalho. Ao passar pela recepção recomendou para que não mandassem mais ninguém porque estava de saída e que também não haveria outro médico para dar continuidade ao tipo atendimento que realizava. Fui introduzido numa sala e o médico fez a sutura, cabendo a uma auxiliar de enfermagem completar o atendimento.

 

A QUALIDADE DO ATENDIMENTO

 

       O atendimento foi completado em prazo relativamente curto, mas houve motivo de frustração porque todos os que me atenderam, as auxiliares de enfermagem, a acompanhante da ambulância e o médico responderam minhas perguntas secamente e não ofereceram nenhuma possibilidade de diálogo. Não houve a menor possibilidade de estabelecer qualquer tipo de relacionamento com essas pessoas. Inclusive, ao solicitar ao médico esclarecimentos sobre a sua receita, porque não entendi sua caligrafia, notei agressividade nas respostas às perguntas que formulei. Para terminar o atendimento levanta-se apressadamente e deixa-me sozinho na sala.

        Aparentemente essas pessoas estavam chateadas, amarguradas ou qualquer coisa dessa natureza. Talvez os salários fossem insuficientes, a carga de trabalho exagerada e as condições das instalações e equipamentos desfavoráveis. Quem sabe questões pessoais como dificuldades de convivência com familiares e doenças sejam motivos outros para afetar a qualidade do serviço que prestam.

       O do atendimento oferecido por esses profissionais tem a sua qualidade reduzida pelo desinteresse e pela ausência de calor humano. Nos serviços de saúde a qualidade do vínculo entre pacientes, médicos, enfermeiros e outros atendentes é fator importante para a superação das doenças.

 

JUSTIFICATIVA PARA A BAIXA QUALIDADE

 

       O empregado de uma empresa ou de qualquer outro tipo de organização com muita frequência justifica que deixa de oferecer o melhor em sua atividade por não contar com condições favoráveis em seu trabalho. Condições expressas por salário insuficiente, extensas jornadas de trabalho acrescidas de horas extras, ausência de promoções e pela falta de incentivos e elogios. Atende mal as pessoas quer sejam clientes ou funcionários da própria organização.

       Qual é a lógica desse comportamento?

      Ao prestar serviço de baixa qualidade entendem que irão prejudicar os superiores hierárquicos ou os proprietários da empresa, uma espécie de vingança.

       Com essa visão equivocada acaba por prejudicar as pessoas que buscam o serviço que prestam, sem que sejam responsáveis pelas condições negativas. Pior ainda, acabam por prejudicarem-se.

 

AUSÊNCIA DE ESCOLHA

 

       O profissional que age dessa forma fez algum tipo de escolha? Escolheu tratar as pessoas de maneira inadequada em evitar contato gentil e cortes? Será que fez uma escolha de fato?

       Não há escolha, o que prevalece é reação às condições e circunstâncias.

       Existem pessoas que na vida simplesmente reagem, diante de coisas que gostam têm uma reação agradável e quando enfrentam coisas que não gostam a reação será desagradável.

       Elas não são livres e não definem o rumo de suas vidas, ficam limitadas às circunstâncias.

 

ESCOLHER

 

       Vamos supor ainda o exemplo de um médico que trabalha num hospital público ou privado. Apesar de obter uma remuneração pequena e cumprir horário de trabalho desfavorável escolhe oferecer o melhor atendimento para as pessoas. Irá alcançar resultados segundo a sua vontade e não deixá-los na dependência exclusiva de reação negativa diante de obstáculos que possam existir. Mesmo descontente com os responsáveis por suas condições de trabalho entende que os seus pacientes merecem todo cuidado possível.

       No final de sua jornada no hospital talvez vá para seu consultório particular onde desenvolve seu trabalho em melhores condições, ali terá o mesmo interesse em oferecer atendimento de qualidade para seus pacientes.

       O seu compromisso é com a sua integridade diante de qualquer condição que tenha para exercer o seu trabalho.

 

CONTINUAR SUJEITO ÀS CONDIÇÕES NEGATIVAS

 

       Há pessoas que entendem que não podem oferecer o melhor de si quando não recebem retribuições adequadas. Acreditam que com essa atitude irão expressar concordância com as condições negativas. Pensam poder forçar mudanças quando demonstram insatisfação ao prestarem serviços de qualidade inferior.   

       Será possível alcançar melhores condições na vida pelo revide mediante reação negativa?

       Essa visão equivocada não fica restrita aos ambientes de trabalho é comum em todos os tipos de relacionamentos, com consequências dolorosas, especialmente na convivência entre familiares.

 

MÉRITO ACUMULADO

 

       Os profissionais que optam por reduzir a qualidade do serviço que prestam não acumulam méritos para que possam alcançar seus objetivos. Comparecem diante de seus superiores e exigem melhores condições ainda que sem desempenho que possa justificar.

       Quando indagados a respeito de seus méritos apresentam apenas as suas necessidades. Dizem receber salário insuficiente para suas despesas pessoais e de seus familiares. É verdade que muitos enfrentam dificuldades que as organizações podem até considerar como doenças e outros imprevistos. Entretanto, quando se trata da carreira profissional a obtenção de melhores condições deve ter por fundamento o mérito acumulado. Mérito é decorrência do melhor que um profissional possa oferecer ainda que não tenha acesso a condições justas.

 

O CONSELHO DO DIRETOR

 

       Relato agora episódio de minha vida profissional. Contava cerca de 18 anos e trabalhava em uma empresa multinacional. Certo dia ao voltar do almoço encontrei o diretor da área em que eu trabalhava que me convida para sua sala. Fiquei preocupado com o convite, pois era a primeira vez que isso acontecia, ele não era meu superior direto.

       Era um inglês e com o seu sotaque característico disse-me para sentar em uma poltrona ao seu lado e logo esclareceu o motivo do convite.

       -- Tenho observado o seu serviço e quero fazer-lhe uma recomendação que poderá ser útil em sua vida profissional.

       E a recomendação foi a seguinte: “Trabalhe com tal empenho e dedicação e assim fazer o seu salário parecer ridículo a seu chefe. Assim, ele terá motivo para aumentar o seu salário”.

       E completou dizendo ainda: “Na hipótese de não haver reconhecimento por seus méritos acumulados procure transferir-se para outro setor da empresa e se, por qualquer motivo, não for possível busque outra empresa para trabalhar. O mérito que você tiver acumulado seguramente será reconhecido por alguém em algum momento”.

 

REATIVOS E PROATIVOS

 

       O que pode levar as pessoas a serem bem sucedidas, especialmente nos relacionamentos, é a sua opção pela proatividade. Escolhe agir e fazer o que entende ser o mais adequado para estabelecer vínculos harmoniosos com as pessoas.

        Todo aquele que na vida simplesmente reage aos acontecimentos à sua volta não assume o controle de sua existência é como uma folha empurrada pelo vento, daqui para ali, não consegue estabelecer uma direção em sua existência.

       Para os reativos se o céu estiver nublado o dia é péssimo e quando o Sol aparece o dia é excelente, enquanto para o proativo o dia é sempre bom independente do dia estar chuvoso, quente, frio ou ensolarado.

 

LEI DA SEMEADURA

 

       Um faz aos outros o que quer para si próprio e outro o que não quer para si, qual desses irá obter mais sucesso ao longo da vida?

        Se considerarmos a justiça da lei da semeadura, lei moral que rege a vida, que diz que tudo aquilo que semearmos haveremos de colher, teremos a resposta: vai ser bem sucedido aquele que faz aos outros o mesmo que gostaria para si próprio.

       Aquele que faz aos outros o que não deseja para si opta for semear espinhos. Quando vier a colheita provavelmente irá sentir-se injustiçado.

 

DEUS NÃO FAZ ISSO

 

       Sentir-se vítima é característica dos reativos e afirmam constantemente merecer recompensas que são negadas. Costumam perguntar: o que terei feito a Deus para tanto coisa desagradável acontecer?

       Deus não tem nada com isso. Recebemos segundo as nossas obras como registra os ensinamentos de Jesus. O que nos acontece não decorre de ação de Deus e sim de nossas próprias ações.

       Dessa forma, quer sejamos médicos, enfermeiros, professores, balconistas, responsáveis por qualquer tipo de atividade é nosso dever fazer a escolha adequada: oferecer a melhor qualidade nos serviços a serem prestados.

       Para que possamos progredir material, emocional e espiritualmente a escolha é buscar a melhor qualificação possível no que fazemos e oferecer sempre o melhor em nossas ações. Como criaturas proativas escolheremos sempre agir de acordo com a Lei de Ouro: faça aos outros o mesmo que quer para si próprio.

       Porém, se nos mantivermos presos às circunstâncias e contingências seremos levados sem destino como acontece com as folhas secas tocadas pelo vento.

 

 

O QUE É OFERECIDO

 

       Verifiquemos o que oferecemos aos outros no relacionamento com familiares, parceiros de trabalho e no convívio social. Reagimos ou fazemos escolhas que permitam colocar em ação o ensinamento de amar o próximo?

       Fazer isso é uma escolha decorrente de consciência desenvolvida que permite perceber o resultado que obtemos na vida quando amamos ao próximo. Lançamos sementes fantásticas que produzem como colheita a felicidade, propósito da vida estabelecido por Deus ao nos criar.

       Se nós deixarmos de amar a vida nos oferecerá situações negativas capazes de trazer sofrimento no lugar da felicidade.

       A vida sempre oferece as possibilidades, mas para que sejam transformadas em realidade precisamos escolhê-las. Elas não se depositam por obra do acaso em nossas mãos é necessário identificá-las ir em busca de sua concretização por meio de nossas ações.