VALORES PARA A CONVIVÊNCIA – CIVILIDADE

CIVILIDADE - Unknown Artist
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O que entendemos por civilidade?

 

         A civilidade é a manifestação externa do respeito ao próximo. Consiste em um conjunto de normas relacionadas com a convivência, que tendem a evitar incômodos entre as pessoas quando se relacionam entre si.

         Azorín (escritor espanhol da Geração de 1998) a resumia com estas palavras: ''A civilidade é o conjunto de preceitos exteriores que regulam o trato de pessoas civilizadas. Esses preceitos estendem-se às saudações, às visitas, [...] às comidas, às cartas, às conversas. Mas a civilidade por si só não basta. É preciso complementá-la. No chamado tríptico da vida social, a civilidade é uma parte e as outras duas são a equidade e a liberalidade". Por equidade entendemos justiça e tolerância; e por liberalidade, generosidade.

         Ainda que na nossa vida dentro de casa possamos prescindir de alguns detalhes para não converter a vida doméstica em uma "vida de etiqueta", nossos filhos devem conhecer bem as normas de civilidade e saber pô-las em prática na sua "vida social". Lembremos que eles frequentam outras famílias, comem na escola, viajam em transportes públicos, cumprimentam os pais de um colega de classe, assistem a espetáculos... e devem saber comportar-se de maneira correta sempre.

 

AINDA ESTÁ NA MODA A CIVILIDADE?

 

         É certo que há condutas para todos os gostos e que, frequentemente, encontramos jovens e adultos que fazem alarde de sua grosseria em palavras e atos.

         Entretanto, também podemos constatar um ressurgimento do interesse pelas normas de civilidade. Em sociedades avançadas, justamente por causa de seu nível cultural, observam-se com respeito os costumes sociais que tornam mais agradável a convivência; voltam-se a publicar livros referentes ao tema das maneiras corretas de agir nos diferentes momentos do dia e nos distintos ambientes; definitivamente, a civilidade volta a ser uma questão da atualidade.

         Realmente, é possível encontrar estas normas de bom gosto em qualquer manual moderno de civilidade. Eles existem, e são muito bons.

         Seria uma lástima se uma sociedade como a nossa, que se diz preocupada com a tolerância e com a convivência, que exige respeito a todas as classes de pessoas, que procura integrar diferenças e não ferir suscetibilidades gratuitamente, que proclama um trato digno inclusive com os animais, abandonasse as convenções de bom gosto que, afinal de contas, não têm outra finalidade a não ser polir a grosseria, muitas vezes hostil, a que nos inclinam nossos instintos mais primários.

         Estas convenções sociais são arbitrárias na prática, é verdade, e elas podem inquietar a espontaneidade de nossos filhos.

         Não obstante, é fácil mostrar-lhes outras normas igualmente arbitrárias, e geralmente bastante rígidas, que eles mesmos se impõem, por exemplo, na maneira de vestir ou de se comportar em uma discoteca, ou nos rituais praticados durante o recreio na escola ou na prática de esportes, ou simplesmente no modo de se pentear ou de levar coisas no bolso; se alguém não aceita estas normas, tácitas, mas muito claras, é visto como bicho raro.

         Os que querem aparecer caem automaticamente na categoria de suspeitos ou pelo menos de novatos, pouco iniciados nos respectivos ambientes, ou simplesmente antiquados. São suas normas de civilidade.

 

CIVILIDADE DENTRO E FORA DE CASA

 

         Todos os pais têm a justíssima ambição de que os filhos saibam se comportar adequadamente em público e que não os envergonhem por sua maneira de agir ou falar. É dentro de casa que se pode levar a cabo uma aprendizagem lenta e constante que depois dará seu fruto, uma vez que bons modos não se improvisam.

         E em nenhum momento nos referimos a refinamentos palacianos ou protocolos complicados, mas a situações normais, que devem fazer parte dos atos reflexos que se exercem habitualmente no meio familiar; só assim agirão com naturalidade em qualquer situação ou ambiente.

         No ambiente familiar ou de amizade, podemos e devemos relaxar a prática de muitas normas sociais; se não o fizéssemos, criaríamos um ambiente sumamente incômodo, sufocante, falso. Mas no momento em que pisamos na rua, entramos em um local público ou na casa de alguém, e temos que adotar uma conduta adequada à nova situação. Não podemos ir de pijama ao teatro nem tomar o café-da-manhã diário na cozinha de casa em traje de gala. Não será difícil que nossos filhos compreendam isso perfeitamente.

         A ignorância dos usos e dos costumes de um determinado grupo cria desassossego e uma sensação de inferioridade muito desagradável em quem tem tal desconhecimento.

 

Os bons modos não se improvisam

 

CIVILIDADE

 

         - Mamãe, a civilidade tem algo a ver com a Guarda Civil?

         - Não, filha. A civilidade é algo que parece que está fora de moda, e não deveria estar.

         - Como os vestidos da vovó?

         - Não exatamente. A civilidade é tudo aquilo que devemos ter em conta quando tratamos com os outros: como devemos nos comportar para não incomodar as pessoas e como podemos facilitar a vida uns dos outros sem lhes causar mais dificuldades.

         - Não entendi mamãe. Explique melhor.

         - Imagine que você vai comer na casa de uma amiga que a convidou; hoje é o aniversário dela. Você vai com um vestido sujo e fedorento; entra na casa sem cumprimentar ninguém; dá um empurrão na mãe da sua amiga; chega perto do bolo de aniversário com as mãos sujas de jogar bola, corta uma fatia e começa a comer sem esperar os demais; limpa as mãos na toalha; bebe um refrigerante direto na garrafa; grita e fala besteiras como "Este bolo está parecendo uma cebola podre"...

         - Mamãe, por favor, eu não faria isso nunca. Eu sou uma menina bem-educada.

         - Muito bem. Pois, ser bem educada também se chama ter civilidade.

         - Sabe, eu cumprimentaria o pai e a mãe da minha amiga com um beijo, daria um presente para a minha amiga e brincaria com todo mundo procurando não incomodar. Ah! E iria com aquele conjunto de verão que eu gosto tanto! E essa do bolo... é demais! Só de imaginar me dá nojo. Que vergonha! Com certeza, nunca mais ninguém me convidaria para uma festa, você não acha?

         - Está vendo? Mesmo sem saber você praticou muitas normas que a civilidade nos ensina para... não dar nojo nas pessoas, como você mesma disse. E nem é preciso dar uma de pessoa elegante para seguir as normas de civilidade; basta ser correto e agradável no trato com todos que nos rodeiam. São costumes que devemos ter em conta para conviver melhor. Você viu, por exemplo, que na porta do metro está escrito "Antes de entrar, deixe o outro sair"?

         - Sim, mamãe, eu vi.

         - Pois esse costume é um sinal de respeito para com os demais passageiros. Você não acha que fazer isso vai facilitar a subida e a descida dos passageiros? Assim evitamos empurrões e apertões. É uma norma de civilidade nos transportes públicos.

         - Conte mais normas de civilidade, porque eu não quero ser grosseira nem dar nojo em ninguém.

 

A CIVILIDADE NÃO É HIPOCRISIA

 

         Nossos filhos podem nos dizer que veem a civilidade como uma mentira social e que preferem ser sinceros espontâneos e naturais.

         Teremos de convencê-los, sobretudo com nosso exemplo e palavras oportunas, de que podemos cumprir perfeitamente os costumes corteses e ser ao mesmo tempo sinceros, espontâneos e naturais. A única maneira de conviver é respeitar certas convenções que fazem com que o trato humano, a vida enfim, seja mais agradável.

         De fato, a pessoa que sabe o que deve fazer em cada ocasião pode agir com uma margem enorme de espontaneidade, e, quanto mais assimilados esses costumes, mais naturalidade ela terá. E, em relação à sinceridade, é questão de que "queiram" que estas fórmulas de convivência sejam expressão do respeito interior para com os outros.

         Enfim, a constância na prática da correção social criará em nós costumes que, por sua vez, tornarão esta prática mais fácil, mais natural, mais espontânea e mais agradável. Ou seja, o oposto da hipocrisia ou da artificialidade.

 

OS DOIS LADOS DA ESPONTANEIDADE

 

         Com frequência lemos ou ouvimos entrevistas com celebridades que afirmam que o que mais apreciam em uma pessoa é a sinceridade. Parece que o valor supremo da vida só tem quem é sincero.

         Se entendermos sinceridade como naturalidade, ausência de afetação, estamos de acordo que é um valor que devemos cultivar em nós e nos nossos filhos. As poses e as palavras que alguém emprega para aparentar o que não é e sair bem na foto são tidas como expressões ridículas, que desmerecem quem as manifesta.

         Entretanto, se tomarmos a sinceridade como falta de autocontrole na relação com os demais, então devemos concluir que a pessoa espontânea é um perigo para a convivência social. A vida comunitária está baseada na necessária autorrepressão das condutas nocivas ou simplesmente incômodas para os demais. Não podemos dizer ou fazer tudo que espontaneamente nos venha à cabeça; a sociedade voltaria à barbárie.

         Nos humanizamos à medida que controlamos nossa espontaneidade.

 

A CIVILIDDE NÃO SUPRE NOSSO RESPEITO PARA COM AS PESSOAS, MAS TORNA MANIFESTO

 

         Quando a civilidade é hipocrisia, vê-se de longe; nesse caso, não é civilidade, é mímica.

Quem quer viver em uma cidade, junto com os demais, com os benefícios e os deveres que isso acarreta, deve estar de acordo em seguir as normas (leis, costumes, regras etc.) de comportamentos que são próprias de toda comunidade humana, desde sempre.

         A civilização humana estabeleceu leis, códigos e normas que, todos os que vivemos em um núcleo urbano, pertencente a uma comunidade municipal, estadual ou nacional, devemos cumprir e respeitar para que a convivência pacífica não se rompa.

         Quem preferir viver solitário em cima de uma montanha ou em uma ilha deserta não precisa seguir nenhuma norma de civilidade. Se eu dirigisse sozinho por uma estrada sem tráfego poderia esquecer o código de trânsito; mas se há mais veículos, deverei tê-lo sempre muito presente, para o meu próprio bem e dos demais.

         Respeitar as leis, as normas estabelecidas por uma maioria para a melhor convivência em um núcleo urbano, ou em uma grande comunidade, não é hipocrisia, é querer viver e conviver em sociedade.

         A civilidade e a hipocrisia são faces opostas, ou estão vestidas com diferentes roupagens, como veremos a seguir.

 

Não vamos confundi-las...

 

 A CIVILIDADE 

• Respeita.

• Ajuda.

• Pensa no outro.

• Melhora a convivência.

• Sempre cai bem.

• Agradece.

• Melhora nosso caráter.

• É verdadeira.

• Mostra-se.

• É um vestido.

• É joia que enfeita.

• É delicada.

• No fundo, é uma forma de amor.

• Por sorte, é útil.

 

 A HIPOCRISIA

• Adula.

• Incomoda.

• Pensa em si mesmo.

• Entorpece a convivência.

• Desgosta quando se descobre.

• Recusa.

• Nos envilece.

• É falsa.

• Oculta-se.

• É um disfarce.

• É bijuteria que engana.

• Parece delicada.

• É uma péssima imitação do amor.

• Por desgraça, é útil.

 

 

FRASES CÉLEBRES

 

         - Nosso caráter é resultado de nossa conduta. (Aristóteles, filósofo grego).

         - Coma na sua casa como se comesse na casa de um rei. (Confúcio, filósofo chinês).

         - No que tange a como deve governar sua pessoa e sua casa, Sancho, a primeira coisa a fazer é ser limpo. (Miguel de Cervantes, escritor espanhol).

         - Nossa conduta é a única prova de sinceridade de nosso coração. (Thomas Wilson, estadista norte americano).

 

ATIVIDADES

 

         Sem pretender redigir um manual de civilidade, destacaremos alguns aspectos que devemos levar em conta com nossos filhos entre os 6 e os 12 anos.

         Deixamos ao bom senso dos pais o ensinamento de outras normas de conduta que possam ser úteis no futuro, mas que, nessa idade, podem ser vistas como pedantismo ou, no mínimo, atitudes fora de lugar e de tempo.

 

COMO SE APRESENTAR AOS OUTROS?

 

ASSEIO E HIGIENE

 

         Deixando de lado as normas de higiene, que, todavia estão sujeitas à vontade dos pais, como o banho diário, o cuidado com o cabelo, a higiene com os dentes etc. Vamos insistir na limpeza das mãos e do rosto:

         Mãos limpas. Devemos estar atentos para que nossos filhos se apresentem sempre com as mãos limpas. Devem adquirir o costume de lavá-las depois de qualquer atividade em que possam sujá-las.

         Unhas limpas e bem cortadas. Deveríamos pedir que tivessem cuidados especiais com as unhas; sua pequenez física não é proporcional à imundície que revelam. Se as roem, já não se trata de uma questão de civilidade; afeta o campo da psicologia e devemos consultar um especialista.

         Rosto limpo. O rosto pode ser lavado com tanta facilidade que é quase mais um prazer que um dever. Diz-se que "o rosto é o espelho da alma"; pois muito cuidado para não mostrar uma alma suja e ensebada!

 

ROUPA EXTERIOR E INTERIOR

 

         Nessa idade só podemos insistir em dois aspectos:

         Não usar roupa suja ou rasgada. Temos que lhes mostrar a necessidade de lavar a roupa antes que o problema apareça.

         Mudar a roupa íntima diariamente (e sempre que necessário, se houver algum imprevisto).

 

REFLEXÕES

 

         • A limpeza corporal é de importância absoluta em todas as idades, mas na infância o asseio contínuo é imprescindível, pois dele depende a saúde de nossos filhos e de seu entorno.

         • Aos animais de companhia devem permitir-se certas atitudes, mas não todas, no que se refere ao contato contínuo com nossos filhos. Sua higiene deve ser tão exaustiva quanto a humana.

 

COMO ANDAR NA RUA?

 

 

         É interessante que nossos filhos conheçam alguns hábitos fundamentais para andar na rua:

         • Calçada da direita. Se possível, devemos caminhar pela direita. Se acompanhamos uma pessoa idosa, faremos com que ela caminhe mais à direita, para que fique mais protegida.

         • Cruzamento de ruas. Nos cruzamentos deve-se atravessar sempre pela distância mais curta e nunca em diagonal; se há faixa de pedestres, devemos utilizá-la e prestar sempre atenção aos semáforos. Se conseguirmos que nossos filhos respeitem estas normas, teremos feito para eles um seguro contra acidentes e, quem sabe, um seguro de vida!

         • Ajudar os deficientes. Por exemplo, ajudar uma pessoa cega a atravessar a rua é fazer-lhe um grande favor, ainda mais se se tem em conta um pequeno detalhe: melhor que lhe sustentar o braço é oferecer o nosso para que ela se apoie.

         • Lixeiras. Papéis, sacos, vasilhas etc. devem ser jogados em lixeiras ou contêineres que se encontram pelas ruas para este fim. Finalmente, se levamos o cachorro para passear... não devemos deixar rastro de tal operação!

 

COMO VIAJAR EM TRANSPORTE PÚBLICO?

 

         A partir de determinada idade, as crianças começam a utilizar o transporte público sem a companhia dos adultos. Neste momento devem ter já assumido uma série de normas básicas:

         • Antes de entrar, tem que deixar sair. É preciso cumprir sempre esta regra e, além disso, ceder a vez a qualquer pessoa mais velha ou que tenha dificuldade de movimento.

         • Música. As crianças devem saber que podem escutar música se quiserem, desde que isso não incomode os demais passageiros.

         • Ceder o assento. Devemos ceder o assento às pessoas idosas, às mulheres grávidas ou a qualquer pessoa que apresente alguma dificuldade para ficar em pé. Trata-se de um gesto de respeito e de boa convivência que não saiu de moda e não deve sair nunca.

 

REFLEXÕES

 

         Além destas regras que descrevemos para viajar em transporte público, também é preciso saber:

         • Quando se está em grupo, deve-se respeitar a vez para subir no veículo, e deixar descer antes os mais velhos.

         • Não se deve obstruir a passagem dos demais passageiros, formando grupos que não levam em conta os demais.

         • É falta de educação gritar dentro do veículo, ou falar alto, ou faltar com o respeito aos demais passageiros.

       Quem desde cedo cumpre estas normas básicas de civilidade ou convivência, faz com que a sociedade se sinta agradecida e esperançosa, pois a atitude das crianças de hoje asseguram o bem-estar coletivo do futuro.

 

 

COMO CUMPRIMENTAR E SE APRESENTAR?

 

         Se temos filhos socialmente extrovertidos, não teremos dificuldades especiais neste ponto, mas, se são tímidos ou retraídos, vai nos custar muito esforço conseguir que adotem uma atitude comunicativa e natural. De todo modo, devemos trabalhar para consegui-lo porque isso lhes será de grande proveito.

         • Adiantar-se ao cumprimento. Eles não devem ter vergonha de cumprimentar uma pessoa conhecida que encontrem na rua. Não é preciso que parem, basta um gesto de mão afetuoso e uma palavra.

         • Cumprimentar um grupo. Ainda que ele só conheça uma pessoa do grupo, é de bom-tom que ele saúde primeiro o grupo em geral e depois o conhecido.

          Apresentar uma pessoa. Ao apresentar, por exemplo, o professor de educação física, ele deve saber dizer (com um sorriso): "Este é Rafael, meu professor de educação física" e, depois: "Estes são meus pais e meus tios".

         • Apresentar-se a si mesmo. Também devem ser capazes de dizer: "Dona Pepita, sou Ana Lopes, filha de João, o carpinteiro", sem morrer de vergonha!

         • Pontualidade. Devemos ensinar-lhes que a pontualidade é uma forma de cortesia que, em certas circunstâncias, tendemos facilmente a esquecer. A impontualidade prejudica aos demais e significa um desprezo por aqueles que se esforçam para ser pontuais. A falta de pontualidade sempre prejudica alguém.

 

SUGESTÕES

 

         • Para facilitar a comunicação entre a criança e o adulto, é de grande utilidade qualquer exercício de expressão dramática que os faça encenar as situações planejadas.

         • O possível medo de falar em público também pode ser solucionado com exercícios de expressão, em que as crianças manifestem junto aos outros companheiros suas ideias, sem se importar com a coerência, até chegar a expor realidades coerentes escritas, ou ditadas pelo educador.

 

COMO SE COMPORTAR À MESA

 

         Todo mundo sabe que não comemos com a mesma "etiqueta" se estamos em casa ou se somos convidados para comer em um restaurante; é difícil imaginar que isso não aconteça. As normas de protocolo têm seu lugar e seu momento; o contrário seria a artificialidade mais absoluta.

         De qualquer modo, há certas normas básicas que devem ser respeitadas sempre que se está comendo:

         • Levar a comida à boca (e não a boca à comida). O talher deve aproximar-se da boca com naturalidade, sem abaixar o corpo em direção ao prato nem curvar os ombros; uma leve inclinação deve ser mais do que suficiente.

         • Usar o guardanapo. Deve-se usar o guardanapo antes e depois de beber algo e lembrar que, para limpar-se, é preferível pressionar um pouco os lábios a esfregar o guardanapo de maneira exagerada.

         • Usar os talheres. Se usarmos a faca e o garfo ao mesmo tempo, deve-se pegar a faca com a mão direita e o garfo com a esquerda; entretanto, se só se necessita da colher ou do garfo, deve-se sustentar esse talher com a mão direita. No caso de crianças canhotas, será o inverso. As comidas tenras (massa, por exemplo) não devem ser cortadas com a faca, e sim diretamente com o garfo.

         • Comer pão. O pão não se morde; parte-se um pedaço com os dedos e se leva à boca.

         • Comer carne. Só se deve cortar o pedaço que se vai comer.

         • Comer fruta. Sempre que possível, deve-se evitar usar as mãos ou os dedos para manejar a fruta. Entretanto, antes de fazer ridículo com a faca e o garfo, é melhor utilizar as mãos.

         • Mastigar. Deve-se mastigar sempre sem fazer barulho, mantendo a boca fechada, e não falar nem beber de boca cheia.

         • Copo. Nunca se deve encher o copo até a borda nem beber seu conteúdo de uma só vez.

         • Pedir as coisas. Se em um algum momento não se alcança determinada coisa à mesa, deve-se pedir "por favor" que alguém o faça.

         Em geral, tudo que demonstre voracidade, precipitação e egoísmo à mesa vai contra o respeito aos demais e, portanto, contra a civilidade.

 

COMO SE EXPRESSAR POR ESCRITO?

 

         Nessa idade não é comum que recebam muitas cartas pessoais. Entretanto, no verão e nas férias é possível que cheguem postais ou cartas de amigos.

         • Responder sempre. Devemos acostumar nossos filhos a que, em justa reciprocidade, mandem um postal de saudação e que nele façam constar que receberam as notícias enviadas.

         • Responder rápido. Também temos de lhes ensinar que não devem demorar para responder, seja pelo correio postal ou pelo correio eletrônico. Na vida é sempre preferível passar por atencioso do que por antissocial.

• Responder bem. Finalmente, devemos insistir para que nossos filhos escrevam corretamente o nome e o endereço do destinatário e do remetente no envelope, para facilitar o trabalho dos carteiros.

 

A civilidade não supre nosso respeito para com as pessoas, mas o torna manifesto

 

COMO SE COMPORTAR EM DIVERSAS SITUAÇÕES

 

         Nesta pequena "caixa de ferramentas" de outras normas de civilidade incluímos algumas que devem ser aprendidas dentro de casa, pois fora dela a aprendizagem fica difícil.

         • Dar a mão. Deve-se dar com naturalidade ao cumprimentar. É necessário firmeza, pois é muito desagradável quando nos cumprimentem com mão como "peixe escorregadio" ou "flor murcha".

         • Devem levantar-se. Devem aprender que, caso estejam sentados, devem ficar em pé para cumprimentar alguém e esperar um instante antes de voltar à atividade.

         • Não passar nunca entre duas pessoas que estejam conversando.

         • Pedir licença antes de dirigir-se a uma pessoa que está falando com outra.

         • Não cochichar. Em uma conversa em grupo, não se deve falar em voz baixa com um dos companheiros, pois poderia dar a impressão de que se está falando de outra pessoa do grupo.

         • Por favor, perdão e obrigado. É muito importante saber usar estas três palavras, já que são fundamentais para as manifestações de civilidade.

         • Não cuspir. É um costume horrível que praticamente havia se extinguido de nossa sociedade e que, em alguns ambientes, voltou a ser um hábito frequente.

         • Espirrar. Ao espirrar deve-se colocar um lenço diante da boca e do nariz, e fazê-lo com discrição.

         • Tossir, bocejar (o que deve se evitar ao máximo), pigarrear... sempre com o menor ruído possível e cobrindo a boca com o dorso da mão (não com a palma).

         •Mãos nos bolsos. Continua sendo falta de educação manter as mãos nos bolsos enquanto se fala com alguém ou diante do público; considera-se esta uma postura de desfaçatez e insolência.

 

         Seguramente existem e existirão mais situações em que o comportamento de nossos filhos mereça correção, porém a principal garantia de que sua atuação seja correta dependerá sempre do nosso exemplo.