VALORES PARA A CONVIVÊNCIA COOPERAR, COLABORAR, CONTRIBUIR

COOPERAÇÃO - Unknown Artist
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Cooperar e todos os conceitos relacionados implicam trabalhar junto, empurrar todos na mesma direção, caminhar juntos, tomar parte com outros para conseguir um objetivo comum.

Com este valor visamos favorecer o outro, uma vez que entendemos que uma pessoa coopera com as demais quando há reciprocidade, já que, se esta não existisse, estaríamos falando apenas de ajuda.

Ajudar tem uma só direção: um ajuda e o outro é ajudado.

Cooperar tem sempre uma dupla direção: eu ajudo os outros, e eles me ajudam.

Quer dizer, todos nos ajudamos mutuamente.

Resumindo, eu beneficio os outros, e os outros me beneficiam. Assim, todos saímos ganhando.

 

COOPERAR É FÁCIL E DIFÍCIL AO MESMO TEMPO

 

Desde muito pequenos, nossos filhos começam a cooperar em casa, na creche ou no maternal, já que sabem que têm que dividir o material para deixar de "jogar ao lado do outro" e passar a "jogar com o outro".

Sem dúvida, os esforços dos pais e dos educadores são fundamentais para que o hábito se desenvolva corretamente, já que o processo de aprendizagem da cooperação é longo e custoso: por um lado, o ser humano tem uma tendência inata à socialização; mas, por outro, também tende a mostrar-se não solidário e egocêntrico com grande frequência, porque o egoísmo é uma vertente da natureza humana.

Por isso, tanto nós como aqueles a quem queremos educar oscilam (oscilamos!) entre estes dois polos: a "sociedade" e o "egoísmo". De todo modo, ambos têm sua razão de ser:

• Necessitamos dos demais para subsistir (sociedade). Desde que nascemos, necessitamos de um vínculo, ainda que débil, que nos conecte com a cultura humana e nos transmita o legado de milhares de anos de humanidade. Podemos afirmar, sem medo de errar, que "nos tornamos humanos por imitação".

• Necessitamos do "egoísmo" para subsistir entre os demais (egoísmo). O egoísmo bem entendido consiste em cuidar de nós mesmos e nos proteger adequadamente para não ficarmos à mercê de qualquer um. Há que se compreender que o amor para com o próximo começa em nós mesmos. A atitude de cooperação implica admitir a individualidade de si mesmo e dos outros para, depois, podermos nos comunicar com eles, influenciar e deixar-se influenciar, ajudar e deixar-se ajudar.

Em qualquer caso, sempre devemos nos alegrar com a atitude cooperadora de nossos filhos e sublinhar com a nossa aprovação e o apoio prático tais atitudes, mesmo que sejam mínimas e que não estejam isentas de um certo egoísmo natural.

 

Cooperar é trabalhar junto

 

ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O VALOR DA COOPERAÇÃO

 

• Não devemos exigir de nossos filhos um grau de cooperação maior do que exigimos de nós mesmos. Afinal, é natural que eles sejam mais imaturos e, portanto, mais egocêntricos e infantis que nós.

• Isso não significa que devemos deixar de pedir cooperação aos nossos filhos, e sim compreender as suas limitações (simplesmente comparando-as com as nossas).

• Nosso processo deve ser pedir cooperação, compreender o egoísmo... e então voltar a pedir cooperação. Isso quer dizer que temos de pedir 100, ficar contentes se nos dão 20, mas voltar a pedir 100.

• A melhor maneira de ensinar o valor da cooperação é cooperar. Nossos filhos pedem a nossa colaboração não apenas por palavras; seus silêncios, seus gestos ou sua simples presença podem ser um convite para que trabalhem juntos. Cooperando aprendemos a cooperar. O esforço compartilhado suaviza o trabalho, tornando-o mais leve e até alegre.

 

Os seres humanos necessitam da sociedade

 

FRASES CÉLEBRES

 

- Ai de quem está só! (Máxima antiga)

- Com a concórdia crescem as coisas pequenas; com a discórdia desabam as maiores. (Salústio, historiador romano).

- O homem é um animal social. (Baruch de Spinoza, filósofo holandês).

- Ninguém é uma ilha por si mesmo; todos somos parte do continente. (John Dorme, poeta inglês).

 

FÁBULAS

OS FILHOS DE UM LAVRADOR QUE BRIGAVAM (Esopo)

 

Os filhos de um lavrador brigavam. O lavrador, uma vez que já os havia castigado e não havia conseguido que mudassem de atitude, compreendeu que teria de propor algo diferente. Disse-lhes, pois, que trouxessem um maço de varas e, quando haviam cumprido a tarefa, deu-lhes primeiro as varas juntas e mandou que as partissem. Como, por mais que se esforçassem, eles não conseguiam, o pai desamarrou o feixe e foi dando as varas uma por uma. Então as partiram no mesmo instante, e o lavrador lhes disse: "Assim, meus filhos, se viverem em concórdia, jamais serão dominados pelos adversários; mas se viverem brigando, serão vencidos facilmente.”.

Esta fábula nos ensina que tão forte é a união como fácil vencer a discórdia.

 

O LEÃO E A RATA AGRADECIDA (Esopo)

 

Um leão dormia, e uma rata se pôs a correr sobre o seu corpo. O leão acordou e agarrou-a, disposto a devorá-la; mas a rata suplicou que a soltasse, dizendo que, se ele lhe poupasse a vida, ela saberia corresponder-lhe. O leão deu risada e a soltou.

Pouco tempo depois, o leão se salvou graças à atitude da rata. Caçadores o haviam capturado e amarrado com uma corda a uma árvore. A rata, ao ouvir seus gemidos, correu ao seu encontro, roeu a corda e o libertou. Então a rata lhe disse: "Há pouco tempo você riu de mim porque não esperava agradecimento algum de minha parte; mas agora já sabe que entre as ratas também há gratidão”.

Esta fábula manifesta que na adversidade os mais poderosos têm necessidade dos mais fracos.

 

SALVA-VIDAS OU EQUIPE? EGOÍSMO OU COOPERAÇÃO?

 

Com nossas condutas e, de vez em quando, com nossas palavras, devemos ensinar a nossos filhos que não devem considerar os outros coletes "salva-vidas", mas aprender a vê-las como sua "equipe", por que:

 

COM O COLETE SALVA-VIDAS

• Tiro proveito pessoal dele.

• Se eu tenho o outro não pode ter.

• Eu o exijo aos demais.

• Quando eu tenho, não preciso mais  dos outros.

• Eu sou o chefe.

• Se não me dão, a culpa é dos outros.

• Posso salvar-me ainda que todos pereçam.

• Apesar de tê-lo, posso ficar só no meio do oceano.

• Nunca me ajudará a nadar nem me animará a fazê-lo.

• O bom é que nunca me ocorrerá  prescindir dele.

• Tem em comum com a equipe... que é imprescindível!

 

EM EQUIPE...

• Trabalho para o bem de todos.

Quanto mais eu tenha, mas terá a equipe.

• Todos nos exigimos uns aos outros.

• Nunca posso prescindir dos demais componentes da equipe.

• É possível que outro dirija o grupo.

• Se não triunfamos, é muito difícil que apenas um seja o culpado.

• Jamais ganho nem perco sozinho; ganhamos ou perdemos todos.

• Nunca ficarei sozinho, sempre tenho a equipe comigo.

• Eles me ajudarão nos momentos difíceis e me animarão.

• O mau é que é possível que um dia eu queira sair dela.

• Tem em comum com o salva-vidas... que é imprescindível!

 

Peçamos cooperação e compreendamos o egoísmo

 

ATIVIDADES

 

JOGOS DE COOPERAÇÃO

 

Há muitas possibilidades de realizar em casa, com os amigos, em uma festa familiar... jogos que, por sua natureza, pedem a colaboração de várias pessoas.

Não é preciso muita gente, mas sim a cooperação dos jogadores.

Os quebra-cabeças são bons exemplos de jogos em que o trabalho em equipe é simples e divertido, ainda que também se possa jogar individualmente.

 

OBSERVAÇÕES

 

É aconselhável tomar um só fio do novelo e ir remontando para cima.

Podemos também derivar pelos ramos que nos apeteçam, como ligar com o valor da solidariedade, já que cooperação e solidariedade são valores similares.

 

OBSERVAÇÃO

 

Com isso não queremos de modo algum excluir outros jogos de tabuleiro, alguns dos quais podem ser muito competitivos (por exemplo, o Ludo), mas trata-se de:

·   Favorecer, propor e ressaltar o valor dos jogos cooperativos.

·  Destacar os aspectos positivos dos jogos competitivos (estímulo, respeito às regras, aceitação da derrota, superação do desânimo, influência da sorte...) e suavizar os possíveis brotos de rivalidade hostil que possam surgir.

 

APENAS UMA CANETA ESFEROGRÁFICA

 

Ante objetos aparentemente simples como uma caneta esferográfica, um canudo, uma cadeira, um ladrilho ou um lápis, podemos elaborar uma lista de pessoas que tornaram possível que agora tenhamos em nossas mãos esse objeto.

Se fizermos a prova, ficaremos surpresos com algo que talvez nunca tenhamos pensado.

Se escolhermos uma caneta como exemplo, podemos anotar em um papel: os pais dos professores dos engenheiros que desenharam as máquinas que construíram os veículos que transportaram as matérias-primas; os químicos que inventaram as tintas com que se imprimiram as instruções de montagem; os pastores que cuidaram das ovelhas que produziram lã para fabricar os uniformes dos policiais que facilitaram que este produto chegasse de uma parte à outra; os desenhistas que desenharam os móveis das entidades financeiras desses negócios; e assim até onde quisermos...

 

FRASES CORTADAS

 

Tomamos quatro ou cinco frases escritas em um papel, ou, melhor ainda, em uma cartolina, e as cortamos em pedaços (não tem importância se cada pedaço contiver somente uma palavra), os misturamos e os distribuímos ao acaso entre os membros da família.

Todos os fragmentos ficarão à vista dos demais.

Trata-se de que, em rigoroso silêncio, cada um tente construir frases corretas de maneira que ao final não sobre nem falte nenhum pedaço. Só podemos pedir com gestos pedaços de frases que nos pareçam necessários. Nunca ninguém poderá ficar sem um fragmento de frase.

 

OBSERVAÇÕES

 

Devemos recortar pelo menos tantas frases quantos jogadores tivermos, para que cada jogador possa construir pelo menos uma frase.

Podemos fazer o mesmo com desenhos recortados para recompor uma imagem; por exemplo, uma página de jornal em que não haja texto, mas um grande anúncio, ou uma folha totalmente ilustrada.

 

 

FRASES POSSÍVEIS

 

• Quando você me ajuda, eu ajudo você.

• Quando alguém quer trabalhar sozinho, pode ser que lhe falte ânimo.

• O que não acontece a um, acontece ao outro.

• Nem todos temos as mesmas qualidades; juntos teremos muitas.

• Temos a sorte de poder trabalhar com os outros.

 

Os mais poderosos têm necessidade dos mais fracos