COMO FAZER O AMOR DAR CERTO

Como fazer o amor dar certo - Unknown Artist
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Livro de Steven Carter

1 milhão de exemplares vendidos no Brasil

Editora Sextante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

 

           Escrevi este livro porque acredito na parceria e na possibilidade de estabelecermos uma ligação duradoura com outra pessoa. Mas esses fatores não são "inerentes" a qualquer relacionamento. Eles devem ser criados e mantidos com afeto, comprometimento e esforço constante. Ainda assim, eles foram as maiores dádivas da minha vida nos últimos anos, uma maravilhosa recompensa por estar totalmente comprometido com outro ser humano. Por meio deste livro, eu gostaria de ajudar você a experimentar essa mesma sensação.

 

Uma parceria não dá certo por acaso

 

          Todo mundo diz que dá muito trabalho construir um relacionamento duradouro. Entretanto, as pessoas raramente sabem o que querem dizer com isso. Quando nos apaixonamos, ficamos cheios de entusiasmo. Temos confiança e esperança de que tudo vai dar certo. Temos certeza de que o poder do amor e da atração inicial - e não o "trabalho" - vai garantir o sucesso da relação. Acreditamos que o amor, associado a instintos saudáveis e boas intenções, nos conduzirá na direção correta e que, quando enfrentarmos dificuldades, esse mesmo amor irá nos salvar. Porém, vamos encarar a verdade: se apenas amor fosse necessário, o número de relações bem-sucedidas seria muito maior.

          Não é nossa culpa, mas a maioria de nós não foi treinada adequadamente para dividir o mesmo teto. E a verdade é que temos muito mais habilidades para vivermos sozinhos do que acompanhados.

          Às vezes, temos esse grande talento para a solteirice por pura falta de escolha. Estávamos esperando um amor que demorou a chegar. Ironicamente, a falta de prática é o que nos torna menos habilitados para levar uma relação adiante. Acabamos nos tornando bons demais em ser solteiros. Sabemos tomar nossas próprias decisões, fazer nossos planos individuais, preencher nossos vazios. Vivemos sozinhos por mais tempo, nos casamos cada vez mais tarde e nunca imaginamos que isso pode nos deixar menos preparados para os relacionamentos sérios. Pelo contrário, quase sempre acreditamos que isso nos tornará mais preparados, porque nos sentimos mais saudáveis, fortes e controlados. A verdade, porém, é que passamos pouco tempo aprimorando nossas habilidades para o companheirismo. Só descobrimos isso quando aquela pessoa especial finalmente surge em nossa vida e percebemos que estamos lutando com o desafio diário de tornar o relacionamento feliz e bem-sucedido.

 

A habilidade para a parceria é uma qualidade adquirida

 

          Todos nós sabemos como é estar apaixonado. Sabemos o que é ter o espírito elevado pela esperança que sentimos ao encontrar alguém de quem realmente gostamos. Sabemos como pode ser excitante pensar na possibilidade de uma parceria entre dois corações sinceros e amorosos e sabemos o que significa investir toda nossa energia nessa possibilidade. Mesmo assim, todas as pessoas que buscam um relacionamento amoroso lutam contra o lamentável fato de que seus sonhos nem sempre são realizados. Quase todo mundo já passou pela experiência de ir a um primeiro encontro cheio de expectativas e de repente se ver sentado diante de um estranho e se perguntar: "Onde eu estava com a cabeça?" Muitos relacionamentos em potencial fracassam após um ou dois encontros porque a atração inicial simplesmente não é suficiente para sustentar um casal. Algumas pessoas conseguem permanecer juntas por vários meses, mas depois a atração desaparece e não há nada que ocupe seu lugar. Outras ficam juntas durante anos, até que a "cola" já não as segura mais. Muitas se casam e continuam casadas, mas quantos desses casamentos são realmente gratificantes?

          Qualquer pessoa que acredite no amor, como eu acredito, precisa fazer a si mesma as seguintes perguntas: como posso garantir o sucesso de meu relacionamento? O que posso fazer a cada dia para tornar minha relação mais afetuosa e significativa? Como posso me certificar de que eu e meu companheiro manteremos a sintonia e continuaremos a crescer juntos?

          Nesses 20 anos que passei estudando, observando e escrevendo sobre relacionamentos, sempre me surpreendi com o número de pessoas que me dizem que, embora acreditem ter encontrado o parceiro de seus sonhos, não conseguem criar o relacionamento que esperavam. Elas afirmam que possuem todos os requisitos "básicos" para uma relação duradoura: amor, química, boas intenções, interesses, valores e objetivos em comum e vontade de se dedicar ao relacionamento. Muitas enfatizam que o sexo é incrível. E eu acredito nelas. O problema é que, apesar de tudo o que essas pessoas de fato têm, não se sentem satisfeitas. A relação não preenche suas necessidades. Há algo errado, mas elas não conseguem descobrir o que é.

          Por outro lado, alguns relacionamentos dão certo. O casal começa o namoro cheio de amor e esperança e depois permanece assim. Laços fortes e saudáveis se desenvolvem. A relação amadurece, prospera e ambos se sentem satisfeitos e em sintonia. O que esses homens e mulheres sabem que os outros não sabem? O que fazem de diferente? O que mantém essas ligações tão resistentes?

 

Precisamos de um projeto para construir as pontes de um relacionamento

 

          Quando conheci a mulher com quem acabaria me casando, minha necessidade de saber o que realmente funcionava em um relacionamento se tornou muito mais urgente. Eu encontrara uma parceira maravilhosa, mas, como a maioria das pessoas, não tinha feito nenhum planejamento sobre a nossa vida juntos. Eu não fazia ideia de como construir uma ponte que levasse de um começo promissor a uma história com final feliz. Eu queria que desse certo e, embora desejasse acreditar que o poder da atração que sentíamos era suficiente para vencer qualquer tempestade, meu lado racional sabia que não era bem assim. Quando você se agarra ao delicado tecido da ligação inicial, não demora muito para que ele se rasgue. Grandes começos não passam disto: grandes começos.

          Como alguém que ganha a vida escrevendo livros sobre relações amorosas, sei muito bem que não adianta dizer "Você precisa se comunicar" ou "É fundamental aceitar as diferenças". Os relacionamentos são muito mais complicados do que isso. Também sei que nem sempre o amor - por maior que seja - é suficiente para vencer os desafios da vida a dois. Se você estiver tentando chegar a um lugar onde nunca esteve antes, faz uma grande diferença poder ver as pegadas de outras pessoas à sua frente. Não dá para construir algo benfeito sem um planejamento prévio, no entanto é isso que fazemos o tempo todo em nossa vida amorosa: tomamos decisões que afetam o futuro com nosso parceiro sem ter a menor ideia se são as opções certas.

          Há anos escrevo sobre como fazer boas escolhas, como evitar as armadilhas mais comuns, como se proteger, como lidar com o medo e como se abrir para o compromisso. Porém, desde o início ficou claro para mim que meus instintos e meu conhecimento não forneceriam todas as respostas - uma coisa é compreender a dinâmica dos relacionamentos e outra completamente diferente é dominar as habilidades do companheirismo. Tal domínio requer muitos anos de experiência pessoal em um relacionamento bem-sucedido e eu não podia contar com a minha pouca vivência para me ajudar nisso. Em algumas ocasiões, me vi recorrendo a amigos íntimos e gritando por socorro. Sob vários aspectos, parecia que eu estava entrando em um mundo totalmente desconhecido. Assim como inúmeros indivíduos que tentam construir sua primeira ponte sólida que vá do "eu" até o "nós", eu precisava de informações.

          Com meu bloquinho na mão, iniciei uma longa e detalhada investigação sobre a experiência da parceria. Revi as entrevistas que eu havia conduzido nos últimos 15 anos, tentando analisá-las com um novo olhar. Depois conversei com casais jovens, idosos e de meia-idade. Alguns deles tinham relacionamentos que eu admirava; outros viviam situações que me davam medo. Busquei modelos que pudessem ser copiados e tomei o cuidado de catalogar erros e comportamentos inadequados.

          Para mim, foi ao mesmo tempo uma experiência fascinante e uma lição de humildade. Foi fascinante porque esses casais me deram uma quantidade incrível de informações novas. E foi uma lição de humildade porque tive que voltar a ser aluno e descer do pedestal confortável de "especialista em relacionamentos". Alguns casais bem-sucedidos estavam conscientes do trabalho que precisavam empreender para a relação dar certo e conseguiam explicar os elementos que faziam parte desse processo. Outros pareciam ter um dom natural para "acertar" e ficavam surpresos com minha admiração por algo que para eles era tão espontâneo. De qualquer forma, para onde quer que eu me virasse, havia algo a ser aprendido.

          Fiquei surpreso com as coisas que estava descobrindo. E o que mais me maravilhou foi ter visto surgirem, de forma lenta, porém cristalina, nove princípios básicos que pareciam governar o comportamento diário das pessoas que eram realmente felizes juntas. Esses princípios não estavam nem um pouco óbvios no início, e é por isso que eu os chamo de "segredos". Eles podem facilmente passar despercebidos aos nossos olhos, porque estão entranhados de maneira muito sutil na estrutura dos relacionamentos bem-sucedidos. Para falar a verdade, eu mesmo levei quase três anos para conseguir visualizá-los com clareza. Porém, uma vez que consegui identificá-los, toda a minha compreensão sobre as relações mudou. Não duvido nada que você tenha uma experiência semelhante.

 

Um esquema prático para fazer o amor dar certo

 

          Quando se trata de relacionamentos, sempre acreditei que não existem regras. Uma relação amorosa é um processo fluido, e tentar controlá-la com uma quantidade exagerada de deveres e obrigações pode transformar um casal potencialmente feliz em um estereótipo de infelicidade.

          Por outro lado, é fácil entender por que homens e mulheres com frequência se sentem encorajados a repetir os padrões de comportamento adotados por outras pessoas. Mas a verdade é que até os melhores relacionamentos podem ser confusos. Às vezes, parece que o mundo lá fora é uma selva e que para sobrevivermos nela precisamos seguir regras claras. O problema é que essas regras tendem a encorajar a manipulação e o controle e a desencorajar a individualidade, a franqueza, a flexibilidade e a disposição para experimentar. É por isso que a maioria das "regras" de relacionamento acaba fracassando.

          Os nove segredos que apresento a seguir são muito diferentes disso. Não se trata de orientações efêmeras, incompreensíveis, inflexíveis ou manipuladoras. Não são exaustivas, intimidantes ou complexas. Pelo contrário, são fáceis de entender e de praticar no dia a dia. Talvez você até já esteja seguindo algumas delas intuitivamente. A chave é estar atento. Esse é o tema deste livro.

          Manter um relacionamento é mesmo um desafio. Construir uma relação gratificante exige muito trabalho; dá muito menos trabalho desistir dela. Mas precisamos encarar um fato: viver é, acima de tudo, amar e estabelecer relações - com amigos, com a família e, se tivermos sorte, com um companheiro especial. A parceria com minha esposa, Jill, mudou substancialmente a minha vida. Esse é o tipo de parceria que desejo que você encontre. Não foi fácil chegarmos a esse estágio, mas também não foi impossível. Ambos aprendemos que, quando temos um planejamento claro, só precisamos continuar dando um passo após o outro. Eu chamo esse planejamento de "nove segredos essenciais". Você pode chamá-lo do que quiser, contanto que o aprenda e o siga com a mente e o coração.

 

Os segredos

 

Segredo 1 - Repare nas coisas pequenas

Segredo 2 - Tire as máscaras

Segredo 3 - Faça do “eu" uma prioridade

Segredo 4 - Livre-se dos estereótipos

Segredo 5 - Faça seu parceiro saber que você gosta dele

Segredo 6 - Crie uma sensação de segurança

Segredo 7 - Apoie os sonhos de seu parceiro

Segredo 8 - Mantenha a chama acesa

Segredo 9 - Mantenha a individualidade